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Deixa de exercitar, move-te | Aia Boldovskaia

Jogos Desportivos Mundiais CSIT 2025: Uma raquete, duas medalhas

Entre os dias 3 e 8 de junho de 2025, integrei a comitiva portuguesa da Fundação INATEL nos Jogos Desportivos Mundiais da CSIT, em Loutraki, Grécia. Éramos 40 atletas de Portugal, distribuídos por 7 modalidades, entre mais de 4000 participantes de vários pontos do mundo.
E posso dizer, sem hesitar: foi o evento desportivo mais fascinante em que participei na minha vida. Não só pela escala impressionante ou pela atmosfera, mas por tudo o que a experiência envolveu — viajar para um lugar onde nunca tinha estado, estar entre milhares de pessoas com histórias e percursos diferentes, vestir o uniforme que representa o país, sentir a energia coletiva de quem se move por gosto. E sim, subir ao pódio teve um peso especial, porque tornou visível um caminho que começou muito antes deste momento.
Joguei ténis de mesa. Ganhei o 2.º lugar por equipas femininas, ao lado da Ana Mattins e da Susana Oliveira, e o 3.º lugar em pares femininos com a Ana. Nos individuais, cheguei aos quartos de final, onde perdi com uma jogadora austríaca num jogo intenso que me deixou orgulhosa do caminho até ali.
Mas esta história não começa aqui. Começa há muitos anos, quando era criança e dedicava várias horas por dia ao ténis de mesa. Depois veio a universidade, outras prioridades, e a raquete ficou de lado. Foi só quando me mudei para Portugal que decidi voltar. Procurava recuperar uma raiz, fazer algo que conhecia, e encontrar pessoas com quem partilhar isso. O que o ténis de mesa me deu desde então foi muito mais do que atividade física: foi comunidade, foi motivação, foi uma nova fase da minha relação com o desporto e comigo mesma.

Hoje, jogo em torneios e campeonatos ao longo do ano. A realidade do ténis de mesa amador em Portugal tem as suas particularidades: há muitos atletas, de todas as idades, mas muito poucas mulheres. Para se ter uma ideia, na época 2024-2025, o Campeonato do INATEL (o maior campeonato amador de ténis de mesa em Portugal) contou com 271 atletas. Destes, apenas cerca de 18 são mulheres. (Este número é estimado — não existe uma categoria feminina separada, e é possível que me tenha escapado alguém. Mas mesmo assim, o contraste é evidente.)
Eu nunca me tornei “atleta a sério” — primeiro porque não tive um talento extraordinário para a modalidade, mas também porque nunca aprendi a lidar bem com a pressão de competir. Durante muito tempo, isso foi motivo de frustração. Achava que, se não conseguia jogar sob pressão, então não pertencia verdadeiramente ao mundo do desporto.
Hoje, aos 35 anos, já não preciso de provar nada a ninguém. E pertenço.
Estes Jogos foram um lembrete poderoso de que o desporto pode ser mais do que ranking. Podemos (e devemos) imaginar uma cultura desportiva mais aberta, diversa e humana.

Quero ver o desporto como ferramenta, como espaço e como ponte — e não filtro.

Em Portugal de hoje, o desporto continua demasiado centrado no rendimento, na distinção entre “quem tem jeito” e “quem devia estar quieto”. Faltam espaços de prática onde o foco não seja ganhar, mas participar com sentido. Onde a aprendizagem não esteja condicionada à performance. Faltam modelos de desporto que respeitem diferentes trajetórias, ritmos, motivações — sobretudo para mulheres, para pessoas mais velhas, e para quem não teve acesso ao desporto na infância.

Ainda estou a digerir tudo o que vivi, mas sei que saio destes Jogos com mais do que medalhas. Saio com vontade de continuar a jogar e a lutar por um desporto com mais lugar para todos.
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